quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Entre a IBM e a Microsoft
domingo, 26 de abril de 2009
Se oriente, Juan
sábado, 25 de abril de 2009
Eu ando
terça-feira, 21 de abril de 2009
Propaganda de segunda
domingo, 8 de março de 2009
Questão de referências
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Os outros
sábado, 17 de janeiro de 2009
Kaká e o sacrifício
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Desobediência lingüístico-civil
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Chama o ladrão
Toma que o mico é teu
Risque meu nome do seu caderno
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Santander quem?
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Welcome back
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Você está aqui

Agora é tarde, Galvão
Ronaldo, o fenômeno, disse no programa "Bem Amigos" que a preparação da seleção brasileira para a Copa de 2006 foi "um circo" (vários trechos do programa aqui). Teve pelo menos a coragem de admitir sua parcela de culpa, ao se apresentar para disputar uma Copa do Mundo muitos quilos acima de seu peso. Ronaldo disse que aquilo foi uma bagunça, que a presença dos torcedores nos treinos atrapalhava etc etc etc.
No meio de uma das declarações de Ronaldo, a câmera corta rapidamente para Galvão Bueno, que o aplaude, meio timidamente.
Galvão Bueno não lê este blog, mas, se lesse: Galvão, agora é tarde. Durante a preparação para Copa e a disputa da própria, a Globo jamais criticou, jamais apontou essas evidentes falhas, foi conivente e coadjuvante desse clima de festa. É, é difícil falar mal de um produto que rende cotas de patrocínio tão altas.
As críticas, obviamente, só aparecem depois que o Brasil perde. Até os repórteres, que sempre entravam no ar sorrindo, como se aquilo fosse de alguma forma engraçado, passaram a apresentar reportagens com cara de luto. Chega a ser constrangedor, para quem assiste, ver tamanha falta de compostura jornalística.
É por isso que eu assisto ESPN Brasil.
E é por isso que eu prefiro ver o Brasil perder dez Copas como a de 82 do que ganhar uma como a de 94. Perder como em 2006, então, explica por que eu gosto de beisebol.
A Folha contou!
A Folha de S. Paulo publicou hoje (28 de outubro) que os bancos estão comprando títulos públicos com o dinheiro extra liberado pelo governo para garantir a oferta de crédito. Na verdade, estão fazendo o que sempre fizeram.
Dizem os economistas que o mercado brasileiro tem pouca oferta de crédito. Isso porque os juros dos títulos públicos são muito altos, o que faz com que os bancos dirijam grande parte de seus recursos para eles. Isso faz com que o dinheiro disponível para os outros setores fique escasso, portanto mais caro, portanto com juros bastante altos — quem entra no cheque especial ou não paga a fatura total do cartão de crédito sabe bem disso.
E por que os juros dos títulos públicos são tão altos? Porque a dívida pública brasileira é enorme, e o governo precisa desses recursos privados para se financiar. Daí, não adianta reclamar, a cada divulgação de balanço, dos lucros bilionários dos bancos. Enquanto a dívida pública brasileira for gigantesca, e o governo precisar se financiar oferecendo títulos da dívida pública a juros tão altos, os bancos farão a festa. Operações de varejo — ou seja, o meu, o seu, o nosso rico dinheirinho —, para eles é troco.
Estranho é um jornal de grande circulação, como a Folha, “entregar” os bancos dessa maneira. O governo reduziu, por exemplo, o depósito compulsório, à espera que os bancos usassem esse dinheiro para conceder crédito, mas os bancos simplesmente foram garantir seus já polpudos lucros numa operação tremendamente segura — emprestar para o governo.
Não, ninguém quer que os bancos quebrem, até porque é lá que guardamos nosso rico (e pouco, mas honesto) dinheirinho. Mas, a imprensa normalmente é conivente com comportamentos assim, ou com ações especulativas, e não dá nomes aos bois. Na época da eleição de 2002, por exemplo, quando Lula começou a subir nas pesquisas, o “mercado” fez uma verdadeira chantagem com o país, levando o dólar a níveis estratosféricos sem a menor razão técnica para isso. Ninguém dizia quem comprava tantos dólares. Eu é que não fui, garanto.
Seria porque os mesmos que realizam essas operações, escondidos atrás do “mercado”, são as fontes dos jornalistas de Economia? Não sei. Mas, dá pra desconfiar.
sábado, 25 de outubro de 2008
Are you kidding, mister Meirelles?
Pensem pequeno, senhores
De tão velha, essa discussão tediosa deveria provocar bocejos na platéia, mas incrivelmente ainda desperta polêmicas, reações raivosas, faz rolar cabeças, ocupa as páginas dos jornais e as telas de televisão. Irritado com a demora na concessão das licenças ambientais às usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperneou contra o Ibama, jogou a culpa no bagre e acusou ambientalistas e similares de emperrarem o crescimento econômico do país por falta de oferta de energia elétrica. E mais: ameaçou apelar para usinas termelétricas a carvão — a concretude do mal em emissão de poluentes e de gases de efeito estufa — e ressucitar Angra 3, botando mais energia nuclear no mapa brasileiro. Em resumo, entra em cena novamente o velho e falso dilema entre conservação de recursos naturais — ou a opção pela sustentabilidade — e o desenvolvimento econômico.
A alegação de Lula e da turma governista é a de que as hidrelétricas do Rio Madeira, a serem instaladas no meio da Amazônia, são necessárias para que se cumpram as metas do Programa de Aceleração do Crescimento. Jogam a sociedade contra a parede e a obrigam a escolher entre o ruim e o pior, sob pena da condenação ao atraso e à pobreza. De um lado, hidrelétricas caríssimas (custarão por volta de R$ 25 bilhões), de alto impacto ambiental, instaladas literalmente no meio do mato e bem longe do mercado consumidor situado mais ao centro e ao sul do país, o que vai exigir também longas e caras linhas de transmissão de energia. De outro, as poluentes termelétricas a carvão ou a temerosa usina nuclear. Uma ladainha com cheiro de chantagem que a imprensa escrita, falada e televisada docilmente e monocordicamente reproduz sem questionar, como se não houvesse outras opções.
Algumas hidrelétricas na Amazônia foram uma insanidade admitida até por Lula. Balbina, por exemplo, alagou uma imensa área para produzir relativamente pouca energia e, segundo alguns pesquisadores, emite uma quantidade estupenda de metano (poderoso gás de efeito estufa) vindo da decomposição da floresta submersa. Hoje, usinas no meio do mato seriam um luxo. Como diria aquela propaganda do cartão de crédito para ricos, “precisar, não precisa”, mas duas hidrelétricas ali seriam obras danadas de bonitas, caras, imponentes, permitiriam belíssimas imagens para ser usadas durante várias campanhas eleitorais. A inauguração? Um espetáculo com palanque, claque, discurso.
Feitas as contas, por gente que costuma fazer contas, percebe-se que Santo Antônio e Jirau são dispensáveis. Em entrevistas à imprensa, Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, afirmou que a repotenciação (troca de turbinas e geradores) de cerca 70 usinas hidrelétricas com mais de 20 anos aumentaria a capacidade de geração em 8 mil MW, energia suficiente para atender em torno de 60% da demanda prevista para PAC. O resto poderia vir da diminuição das perdas nas linhas de transmissão, que chegam a 15%. O estudo de Bermann sobre repotenciação das hidrelétricas já tem alguns anos e nunca foi desmentido, nem contestado. Só ignorado pelos governos, que fazem ouvidos moucos a esses tipos de cálculos.
Essa gente que costuma fazer contas prolifera em universidades, ONGs, institutos de pesquisa e volta e meia publica relatórios sobre seus achados. Um deles é o Three Country EE Project, publicado pelo Banco Mundial e pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). O estudo tinha o objetivo de encontrar jeitos de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, por meio de eficiência energética, nos três países emergentes que estão entre os maiores poluidores atualmente: Brasil, Índia e China. A conclusão é que a eficiência traria redução no consumo de energia em mais de 25% nesses países.
Outro relatório chama-se Agenda Elétrica Sustentável 2020, feito pela WWF em parceria com a Unicamp e a Intenational Energy Initiative. Diz que o caminho da sustentabilidade no setor elétrico passa por investimentos em eficiência energética e em fontes limpas e renováveis, como eólica, PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), biomassa e solar (térmica e fotovoltaica). Assim, haveria redução da demanda por eletricidade em 38% até 2020, o que equivale a deixar de construir 6 usinas como Itaipu. Para completar, o [R]evolução Energética, apresentado pelo Greenpeace, desenha o mesmo cenário — e nem poderia ser diferente —, mostrando como os países podem se desenvolver economicamente até 2050 usando fontes de energia mais limpas e renováveis. Mas, para isso, é preciso reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis e incentivar programas de eficiência energética.
Informações sobre os melhores caminhos a seguir não faltam. O entrave a percorrê-los é que eficiência energética e fontes alternativas e limpas não geram grandes obras, contratos milionários, placa de inauguração, palanque, platéia nem oportunidades para o presidente da ocasião fazer discurso e aparecer no Jornal Nacional. As fontes alternativas são normalmente pulverizadas em pequenas iniciativas. A geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana, por exemplo, é dispersa em cada usina produtora de álcool.
Os donos do poder político e econômico preferem a centralização, como mostra o exemplo do projeto de transposição do Rio São Francisco. Vários especialistas já cansaram de publicar artigos e de dar entrevistas avisando que a transposição não vai acabar com a escassez de água no semi-árido nordestino. Servirá, sim, para levar água a grandes fazendas. Para metade da população mais atingida pela seca, entretanto, não sobrarão nem respingos. Os mesmos especialistas também dizem sempre que não há falta de água no Nordeste, há má gestão dos recursos hídricos. E, para matar a sede da população, é bem mais eficiente construir cisternas para armazenar água da chuva do que gastar bilhões de reais na transposição.
Um exemplo de como soluções pequenas podem mudar a vida das pessoas foi mostrado no programa Globo Rural, em maio. No Vale do Jequitinhonha (MG), uma das regiões mais pobres do Brasil e parte do semi-árido, a água da chuva cai forte sobre a terra desmatada desde o tempo do garimpo e carrega os sedimentos nas enxurradas morro abaixo, provocando erosão e assoreando os rios. Há dez anos, o agrônomo Luciano Cordoval, da Embrapa Milho e Sorgo, levou para lá uma técnica de construção de mini-açudes adaptados ao cerrado e ao semi-árido.
Chamados de barraginhas, os reservatórios cavados nos sítios dos pequenos agricultores ajudam a reter a água da chuva, recompondo os lençóis freáticos e proporcionando ao solo umidade suficiente para garantir as lavouras. Oitenta mil barraginhas depois de iniciado o projeto, os agricultores conseguem plantar e colher para seu próprio sustento, além de vender o excedente nas feiras locais. Cada barraginha custa 100 reais e sua construção é financiada por parcerias entre prefeituras, Igreja Católica e doações de empresas.
Pensar pequeno e adotar medidas simples e baratas não traz soluções apenas a países pobres como o Brasil. Até os ricos estão começando a enveredar por elas. Em fevereiro, a Austrália — que não ratificou o Protocolo de Kyoto — anunciou que vai substituir no país todas as lâmpadas incandescentes por fluorescentes até 2010. Embora um pouco mais caras, as lâmpadas fluorescentes duram dez vezes mais e consomem quatro vezes menos energia. Dois meses depois, o Canadá também prometeu acabar com as lâmpadas incandescentes até 2012. Alguns Estados americanos e vários países europeus estão desenvolvendo programas ou projetos de lei para seguir o mesmo caminho. A matriz energética da Austrália é considerada suja, pois a geração de eletricidade é fortemente baseada nas termelétricas a carvão mineral, o pesadelo da emissão dos gases de efeito estufa. Se todo o mundo seguisse o exemplo australiano, calcula-se que a economia de energia permitiria o fechamento de 270 termelétricas a carvão.
No Brasil, as empresas do setor energético têm dinheiro sobrando para investir. Se não for em hidrelétricas, será em termelétricas — a carvão, já que não há gás natural que chegue para tanto. Os altíssimos custos ambientais e sociais, os interesses da sociedade e a preocupação com a sustentabilidade não são levados em conta nessa equação, em que o importante para as empresas é ocupar mercado e gerar lucro. Associar o lucro à sustentabilidade das próprias empresas e do planeta ainda é conversa para o futuro. Até lá, pelo menos os governos poderiam botar o pé um pouco mais para o lado de cá, incentivando também as pequenas soluções. Provavelmente esses governos perderiam as próximas eleições, mas ganhariam um lugar na História por ter a coragem de tomar as decisões mais adequadas para a sociedade de hoje e para os que ainda vão nascer.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
É o circo de novo
Sim, a atuação da polícia no caso do seqüestro em Santo André foi desastrosa. Foi tudo muito mal conduzido e a imprensa não questiona, como deveria, as estratégias e táticas adotadas, como comenta o observador da imprensa Luciano Martins no Observatório da Imprensa no Rádio (aqui). (Pós-escrito: a coluna semanal dele também comenta o assunto, aqui).
Apenas uns pitacos em relação à negociação com o seqüestrador. A polícia está preparada para lidar com, digamos, criminosos, como um sujeito que invade uma residência para assaltá-la, é surpreendido pela polícia e usa reféns para se proteger, para garantir sua saída sem ser morto, etc. Mas, a polícia está preparada para lidar com alguém em surto psicótico, ou descompensado emocionalmente, como o seqüestrador deste caso? E cabe à polícia julgar, ou seja, decidir não atirar nele, pois é apenas um jovem com uma desilusão amorosa? Só que o jovem com desilusão amorosa está em surto e pondo em risco a vida de duas adolescentes sem chance de defesa. Mesmo assim, merece ser mais protegido do que as duas adolescentes?
Voltando à imprensa. O Observatório da Imprensa publicou hoje um artigo que é uma colagem de comentários questionando a atuação principalmente das tevês na cobertura do caso. Os comentários perguntam se a imprensa não é capaz de fazer uma reflexão sobre isso. Está aqui.
Mais uma vez um seqüestro virou espetáculo, o seqüestrador foi transformado em estrela, deu entrevistas à TV, a primeira ao programa da Sonia Abrão. A mesma que passa meses discutindo o Big Brother, quando o programa está no ar.
Não se trata apenas de uma cobertura boa ou mal feita. É uma questão de interferência em um processo que bem ou mal estava sendo conduzido por quem tem a autoridade social para isso. Cabe à imprensa se meter dessa maneira? A que ponto entrevistar um seqüestrador muda o rumo da história, já que um policial falou que, depois da entrevista, o cara começou a "se achar"?
No documentário “Ônibus 174”, lá pelas tantas alguém fala que a presença da imprensa foi determinante, pois alterou o comportamento do seqüestrador. E da polícia, é claro. Há uma entrevista com um policial (do BOPE, se bem me lembro) dizendo que era possível atirar no seqüestrador, mas isso não ficaria bem ao vivo, na TV. Seria chocante demais, pois iria voar sangue e massa encefálica. O filme pode ser visto no Google vídeo. A entrevista com o policial pode ser vista aos dois minutos da segunda parte, aqui.
O comandante da operação em Santo André disse que, se um atirador de elite tivesse matado o seqüestrador, a imprensa estaria hoje questionando essa decisão. Ou seja, parece que a polícia não tomou as decisões necessárias — ou talvez tenha tomado decisões influenciada demais pelo que iriam dizer a imprensa, ou o governador, ou o povo reunido em volta do prédio etc.
Entrevistar seqüestrador é furo ou irresponsabilidade? A sociedade deu permissão institucional à imprensa para se meter em negociações em que pessoas correm risco de vida, ameaçadas por outros portando armas? E, quando o desfecho é trágico, esses que ora discutem o Big Brother, ora falam com seqüestradores em claro estado de desequilíbrio emocional, simplesmente tiram o corpo fora dizendo que estavam fazendo seu trabalho?
Qual trabalho, cara pálida?